Estreou nos cinemas brasileiros na última sexta-feira, 04, o tão comentado documentário “Shine a Light”, sobre os Rolling Stones. Dirigido por Martin Scorsese, o filme traz uma apresentação do lendário grupo inglês no Beacon Theatre, em Nova York, gravado em 2006, durante a turnê “A Bigger Band”.
Logo no início do filme são mostrados pequenos desentendimentos entre o diretor do longa-metragem e os integrantes do grupo. Primeiro é Mick Jagger que questiona e reclama sobre o palco, depois é Scorsese quase desesperado tentando conseguir do grupo a lista com o repertório das apresentações, para que seja feita a marcação das câmeras. A lista só aparece na mão do diretor momentos antes do grupo subir ao palco.
Após uma apresentação feita pelo ex-presidente Bill Clinton, os Stones começam o show com o clássico “Jumpin’ Jack Flash” e na tentativa de dar a sensação de movimento ao vídeo, Scorsese escolhe os cortes rápidos de câmera, o que mal deixa o espectador ‘perceber’ a cena. Esse tipo de recurso é muito usado em diversos DVDs de shows e sempre cansa.
Conforme o show vai se desenvolvendo os enquadramentos também mudam. Dos quadros fechados e cortes rápidos para planos mais abertos e cortes lentos, o que proporciona maior possibilidade de perceber os detalhes da imagem, do local e dos próprios músicos.
Jack White, vocalista e guitarrista do grupo White Stripes, é o primeiro convidado a subir ao palco. Com a expressão de criança feliz que ganhou presente do Papai Noel, White canta e toca violão com o grupo em “Loving Cup”. E o músico não fez feio. O segundo convidado é o guitarrista ícone do Blues Buddy Guy. Junto com os Stones, Buddy toca “Champagne & Reefer”, clássico de Muddy Waters. Ao final da música Keith Richards lhe dá de presente a guitarra que estava usando.
A terceira participação especial pode deixar alguns fãs desconfiados. Trata-se da cantora Christina Aguilera. Que a cantora tem uma voz forte, isso é verdade, mas sua participação em “Live With Me” é descartável. Parece que Jagger gostou, se levarmos em conta a esfregada que ele dá na cantora...
Algumas músicas que estão na trilha sonora de “Shine a Light” infelizmente não estão no filme. É o caso de “I’m Free” e “Paint it Black”. Eles poderiam ter tirado a cansativa “(I Can’t Get No) Satisfaction”. Mas há ótimas músicas no repertório que fogem dos ‘hits’ padrões. Antes de começarem a bela “As Tears Go By”, Jagger conta que fizeram a música há muito tempo e logo após comporem a canção tiveram vergonha dela, deixando-a na gaveta por um tempo.
Richards assume o microfone em duas canções, “You Got the Silver” e “Connection”. Felizmente durante a segunda música há inserções de entrevistas cortando a apresentação, já que como cantor, Richards é um ótimo... fumante. Aliás, assistindo ao vídeo dá pra ver quem realmente é ‘O’ guitarrista dos Rolling Stones. Richards pode ser um grande compositor, mas no palco, ao vivo, Ron Wood rouba a cena, mesmo com menos holofotes sobre ele.
Apesar de ser chamado e divulgado como documentário, não há quase nada que possa qualificar “Shine a Light” assim. De entrevistas há apenas alguns trechos curtos, de material muito antigo, do inicio do grupo e dos anos 70. Entrevistas recentes ou cenas dos integrantes nos bastidores, praticamente nenhum, fora o que é mostrado logo no início. É um bom filme para quem gosta de Stones e se interessa por música, mas poderia ter sido muito melhor.